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segunda-feira, 10 de março de 2025

' É pau, é Pedra" e nunca é o "fim do caminho" !

Conversa Fora

Por Luciana Nóbrega 

Março — quando as águas sabem mais do que nós

"São as águas de março fechando o verão."
A primeira vez que se ouve essa frase pode parecer só mais uma rima bonita. Mas não é. Ela carrega dentro de si uma sabedoria antiga, dessas que a natureza ensina sem levantar a voz. Nessa possível metáfora: Março chega como quem limpa - lava telhados, quintais e também o que mora por dentro. Assim como o que há dentro de si. É o mês em que o céu chora por nós, quando ainda não conseguimos. E há uma certa beleza melancólica nisso: nas coisas que desmancham pra dar espaço ao que virá. Porque há recomeços que só brotam depois da lama.

A música Águas de Março, escrita por Tom Jobim, eternizou esse movimento com uma genialidade rara - o tipo de obra que, quanto mais se escuta, mais revela. Na gravação que fez com Elis Regina, há algo que transcende técnica: é entrega. Elis, com sua voz cortante e viva, encontra em Tom a contenção exata, a medida justa entre caos e equilíbrio. Juntos, eles não apenas cantam uma música; eles encenam um ciclo, uma coreografia da existência. 

E, nos bastidores havia toda uma aflição entre os dois não revelada na interpretação, que só sabemos dos livros, do filme, das histórias que ficam, do sentir o feeling fo momento histótico cultutal, mas que ali está completamente camuflada em uma harmonia sem medida e sem descrição em palavras que só mesmo grandes ícones como eles, conseguiriam imprimir tão discretamente e porem tão bem,  que jamais se lê a possível desarmonia que também enssoava naqueles ares históricos. 

“É pau, é pedra, é o fim do caminho / É um resto de toco, é um pouco sozinho...” - nesse trecho, o cotidiano se transforma em poesia. A lista quase infinita de elementos parece desconexa, mas ali está o mundo. As coisas pequenas, as dores miúdas, as pausas e os passos. Tudo vira símbolo. Tudo é vida.

Ah quem diga que os ares já não são mais os mesmos e que as chuvas agora se fecham em outros meses, porem a analogia já imprimiu-se no tempo, na história na bela poesia das comparações, que independe do mês que se dê a natureza está ai e compoe como Tom, este cenário.

E então ela fecha o ciclo: “É a promessa de vida no teu coração.” Como quem diz que, depois da tormenta, algo sempre floresce. E que a vida, apesar do peso e do barro, insiste. Tom e Elis entenderam isso profundamente. Eles não só compuseram o canto e interpretação,  dessa riquesa cultural que não é mais apenas uma canção - eles nos ensinaram a ouvir o tempo. E é onde se pode dizer que o interprete vira um pouquinho autor, parceiro em sua colocação e verdade. Verdade que soma e que não transpassa a realidade autoral, mas acrescenta e imprimi a verdade e a esencia nela!

Março, assim como a música, é convite e metáfora. É quando a terra se prepara para germinar - e a gente também. Basta respeitar o silêncio da chuva e confiar que, no fim das contas, a natureza sabe mais do que nós. E se não chover em março, então a gente cria a chuva em nossos pensamentos e nas lembranças melodicas de suas águas e das águas de Tom e revivendo as emoções, e a beleza da poesia implicita nas memorias que por si só fazem chover, supoem-se que até as águas imaginárias se tornaram nossas ! As " águas de março" então concretizam-se tombadas, se não em nossas vidas, mas  na arte que florece delas! 





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