Além da Palavra | Bíblia
Entre Linhas Sagradas – Parte IX
📖 Por Luciana Nóbrega
“Os nomes de Deus: quando o sagrado tem muitos rostos”
Desde os primórdios da revelação, Deus se nomeia de várias formas - não por confusão, mas para se revelar segundo contextos, necessidades, adoração e promessa. Esses nomes divinos não são apenas rótulos; são espelhos da Sua natureza e portais de mistério.
No Antigo Testamento, o nome mais pessoal é o Tetragrama: YHWH (às vezes vocalizado como “Yahweh” ou “Jeová”). Ele surge em Êxodo 3:14, quando Deus se apresenta a Moisés como o “Eu Sou” - uma promessa de presença que ultrapassa passado, presente e futuro. (
Bible.org Bible.org) Junto a esse nome, surgem títulos como Elohim, El Shaddai, El Elyon, Adonai - cada um destacando atributos: poder criador, proteção, majestade, senhorio. (Catholic Identity
catholicidentity.bne.catholic.edu.au)
Visão Católica
Na tradição católica, todos esses nomes são respeitados e usados conforme o contexto litúrgico, teológico e bíblico. A Igreja reconhece o Tetragrama como o nome próprio de Deus, mas tradicionalmente prefere usar “Senhor” (“Adonai” ou “Dominus”) nas leituras públicas, preservando o mistério e evitando pronunciar YHWH como vocalização comum. Os títulos divinos (como Elohim e El Shaddai) são vistos como facetas da missão de Deus como Criador, Salvador e Pai. Essa tradição de reverência ao nome divino se une ao uso de traduções aprovadas que mantêm tais distinções - por exemplo, nas traduções católicas em português, muitas vezes, “Senhor” aparece para representar YHWH.
Visão Presbiteriana (evangélica)
Já na perspectiva presbiteriana, há forte ênfase no estudo bíblico exegético: entender os nomes divinos em suas línguas originais, seus sentidos semíticos e implicações teológicas. O presbiterianismo valoriza a distinção entre “title” (título, por exemplo Elohim, Senhor) e “name” (nome próprio, como YHWH), pois entende que esse nome pessoal revela quem Deus é no pacto com Israel e quem Ele continua sendo com a Igreja. As traduções evangélicas presbiterianas tendem a manter “Senhor” para YHWH, mas também usam notas de rodapé ou comentários que explicam o significado original (ex.: “Yahweh”, “Eu sou”, “Jehovah”).
Visão Espírita (Kardec)
No Espiritismo, a Bíblia é valorizada como fonte de ensinamentos éticos e espirituais, mas não como autoridade exclusiva nem infalível em matéria doutrinária. Allan Kardec e seus seguidores utilizam os textos bíblicos dos Evangelhos em conjunto com obras espíritas - como: O Evangelho Segundo o Espiritismo - para interpretar as mensagens de Jesus segundo a moral espírita (reencarnação, reforma íntima etc.). Quanto aos nomes de Deus, portanto, o Espiritismo respeita aqueles da Bíblia, mas não concentra seus estudos doutrinários na etimologia ou distinção original entre YHWH, Elohim, ou Adonai. Ele os considera em seu valor espiritual, mostrando a ética cristã que há por trás de cada revelação de Deus.
Os nomes de Deus são como portais de revelação:
cada um traz luz diferente. ✍️
No Tetragrama, na majestade de Elohim, no carinho de “Pai”, no poder de “Senhor” - Deus se mostra.
📌 Série: Além da Palavra | Bíblia
Próximo capítulo: 13 de julho, às 21h.
📚 Pesquise os nomes. Entenda os títulos. No fundo, o que importa é quem Ele é - e como Ele está presente.
Para quem quiser pesquisar segue a referências que usei - 📚
Referências bibliográficas utilizadas:
Lecture Notes on The Names Of God — Bible.org
Bible.org
A leitura como exercício de responsabilidade intelectual.LN Blog — Arte, Cultura, MPB e outras Bossas
Luciana Nóbrega
Cantora, Compositora, Especialista em Negócios, Administração e Direito.
Transita entre a arte e o pensamento crítico com sensibilidade, atua também na área jurídica com foco em cultura, comunicação e inovação.