Além da Palavra | Bíblia
Entre Linhas Sagradas –- Parte IV
“Entre pedras, papiros e impressões: como a Palavra sobreviveu ao tempo.”
📖 Por Luciana Nóbrega
Quando Gutenberg finalizou seu prelo manual, por volta de 1455, foi a Bíblia que recebeu a primeira impressão da história.
O que antes dependia da paciência dos copistas, agora ganhava velocidade, forma e alcance.
Era o início de uma nova era -e a Palavra foi seu marco inaugural.
Antes do papel, a Escritura encontrou abrigo onde podia:
tábuas de barro, peles de animais, folhas de papiro, fragmentos de cerâmica.
Cacos de louça quebrada - conhecidos como óstracos - já serviram de suporte para a eternidade.
Com exceção de alguns trechos em aramaico, nos livros de Esdras e Daniel, o Antigo Testamento foi escrito majoritariamente em hebraico - uma língua marcada pela força das consoantes e pertencente à antiga família semítica.
Diz-se que a própria palavra “hebraico” deriva de Hebrom, região onde Abraão se estabeleceu em sua travessia desde Ur dos caldeus.
Ali, entre tendas e promessas, começava a formação de uma identidade que moldaria séculos.
Os 39 livros do Antigo Testamento já estavam reunidos e reconhecidos por volta de 400 a.C.
Desde então, foram aceitos pelas grandes tradições de fé: judaica, protestante, ortodoxa, católica romana e russa - um acordo raro em meio à diversidade de interpretações.
No mundo lusófono, a primeira Bíblia impressa em português surgiu apenas em 1748, a partir da Vulgata Latina.
Mas sua história em nossa língua remonta ao tempo de Dom Diniz (1279–1325), que iniciou as primeiras traduções - séculos antes da impressão ser uma possibilidade.
A Palavra passou por barro, pele e tinta.
Por reis e escribas. Por exílio e invenção.
Mas nunca parou de ser lida.
📌 Série: Além da Palavra | Bíblia
Próximo capítulo: 13 de fevereiro, às 21h.
📚 Onde há registro, há permanência. Onde há permanência, há testemunho.
A leitura como exercício de responsabilidade intelectual.
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Luciana Nóbrega
Cantora, Compositora, Especialista em Negócios, Administração e Direito.
Transita entre a arte e o pensamento crítico com sensibilidade, atua também na área jurídica com foco em cultura, comunicação e inovação.